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A Venda

22 de fev. de 2025
1 min de leitura

A rua ainda está deserta a estas horas,

É assim, todo santo dia da santa rotina.

Arrancado da cama como um bom robô 

desperto vitimado por um cego impulso.


Caminho solitário por estas ruas e becos,

vendo o que resta da noite e o raiar do dia 

e, pelas frestas das janelas, luzes fugidias

iluminam o caminho em frente às casas.

 

As pedras me obrigam a passos lentos e cuidadosos em meu caminhar solitário. 

De frente à venda, a chave abre a porta

para mais um dia que vai até a boca da noite.


Do lado de cá do balcão, vendo de tudo,

sirvo de tudo um pouco, alugo os ouvidos, 

para a prosa, para segredos e até o fiado,

chega a noite e volto para a solidão triste. 


Ela, que enche a casa, me espreita sorrindo 

e, pela vidraça, gosta de me ver voltar só.

A noite será longa, aprisionada no relógio,

que segura os minutos em seus ponteiros.


Rogério Alves


 
 
 

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