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Armadilhas

29 de mai.
2 min de leitura


A escuridão pesa sobre os ponteiros que marcam 02:20h e eles teimam em não avançar. Meus olhos doem ao tentar achar o sono que perdeu-se após a meia noite, logo nos primeiros minutos de um novo dia, que permanecerá oculto nas sombras até às 06:15h quando se vestirá de luz.


E, como em um passe de mágica, todos os monstros que assombraram a minha madrugada estarão reduzidos a pó, incinerados pelo Sol. Lá pelas 09:23h, quando meus olhos queimam, lamentando às horas de sono perdido, terei que rir ao me lembrar quão ridículos foram os motivos da minha insônia madrugadora. 


Lagartixas inofensivas que a noite escura ilusoriamente tratou de transformar em terríveis dragões, assustadores, de olhos vermelhos e presas enormes, soltando fogo pelas ventas, queimando qualquer possibilidade de reencontrar meu sono. 


E o mais curioso é que, mesmo sabendo dessas velhas armadilhas da noite, volto a cair nelas constantemente. Lá pelas 07:00h depois de um bom banho, me sento para tomar um café e acabo rindo da minha meninice noturna e dos ridículos dragões que estragaram a minha noite. 


Eu sei que isso só vêm acontecendo aqui por essas bandas, sei também que é só racionalizar e dizer: são só lagartixas, não são dragões, é a mesma armadilha que você já caiu, amanhã você vai resolver isso tranquilamente, … e pronto! É só virar para o canto e reencontrar o sono. 


O problema, dizem, é que às vezes a noite nos traz de volta para aquele mundo de encantos de quando éramos crianças e tudo nos causava temor, fruto das velhas e boas histórias de assombrações que nos faziam tremer e ter pesadelos.


Eu sei que isso só acontece por essas bandas de cá! Fique tranquilo, “Somente lobos caem em armadilhas para lobos“.


Rogério Alves 


 
 
 

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