Bate e Volta
- Rogério Alves da Silva

- 21 de jan.
- 2 min de leitura

Tenho viajado a trabalho minha vida toda. Estas são viagens que sempre têm como característica primordial durarem somente o tempo estritamente necessário. Assim, elas devem ser rápidas, norteadas por extrema eficiência e buscar o máximo de aproveitamento, visando o melhor custo benefício.
Estas características técnicas são muito importantes para o mundo corporativo que visa sempre eficiência e baixo custo. Mas, acaba por esquecer do fator humano que cai vítima dessa estrutura apelidada de “Bate e Volta” e termina a cada uma dessas aventuras cansado e aturdido. Sem contar que, como elas visam a capacitação e a retenção de conteúdo, o objetivo fica extremamente comprometido.
Depois de alguns anos, essa rotina acaba por desestimular a vítima participante que passa a ter e ver como obrigação o que poderia ser prazeroso e trazer resultados incríveis. Assim, ao fim de cada uma dessas viagens o que se ouve do grupo é: “nossa, estou morto(a)”, “estou cansado(a) desses eventos“, “não tenho mais disposição”, “todo início de ano é essa maratona..."
O engraçado é que o amigo que trabalha num emprego “convencional”, ao saber dessas nossas viagens, diz: “Caramba, você é um cara de sorte, vai viajar novamente! E a gente, que já sabe mais ou menos como é e será, não desmente e ainda dá aquele risinho meio enigmático se fazendo de gostoso.
Nessa minha última aventura teve de tudo: espera interminável na conexão; preços exorbitantes nos aeroportos; atraso no voo; duas horas preso dentro do avião, meditando para não se revoltar e acabar sendo colocado para fora da aeronave e possivelmente preso; sem contar que é época de férias escolares e o voo estava lotado, de crianças.
E elas são uma gracinha: os grandinhos com cara de poucos amigos, olhos no celular, fone de ouvido, casaco e capuz; os irmãos menores, loucos, clamando pela atenção da mãe, chorando, gritando, brigando… todos em direção ao parque dos sonhos dos pais “Beto Carrero”. Sim, fomos juntos, no mesmo voo até Navegantes, SC. Somente lá nos separamos, graças à Deus!
Viajar é massa?
Dessa viagem, uma palavra e uma frase não saem da minha cabeça: “mãeeeee…”, “mãeeeee..” mãeeeee… e: “Saia da zona de conforto!” “Saia da zona de conforto!” Saia da zona de conforto!”, … o amendoim servido na aeronave estava uma delícia.
É rapidinho, é bate e volta!!!
Rogério Alves

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