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Beco do Silêncio

Na rua principal, apinhada de gente, se cruzam os que vão com os que já foram e voltaram, sem destino certo, alternam-se num passeio barulhento e desnorteado, caminhando para enganar o tempo.



Observando essa turba pacífica de distraídos, caminho  lentamente com meu olhar mineiro, capturando todos os detalhes da arquitetura, muito valorizada pela iluminação amarela, bem fraca e distribuída em lampiões baixos. Aqui o abastecimento de energia elétrica é todo subterrâneo, oculto das vistas do observador.


A sensação é de ser transportado para os séculos XVII ou XVIII e o segredo é fazer silêncio, sair da rua e entrar em um dos vários becos que ligam as ruas paralelas. A pouca luz clareia leve o silêncio, permite viajar, imaginar como era a vida ali na cidade de Tiradentes - MG há séculos atrás.



O silêncio e a pouquíssima luz vão se quebrando e se desfazendo quando nos aproximamos da Rua Direita e é bom ficar um pouco ali, escondido, sentado na pedra do beco, pensando, ouvindo o burburinho dos passantes. O ambiente me abraça forte com ares nostálgicos, me cobrindo com uma saudade indefinida.



Meu destino é chegar no Atrás da Matriz, uma casinha mineira transformada em um excelente restaurante que, além de um cardápio maravilhoso, transporta o visitante para o Brasil colônia, não me canso de estar aqui por horas, na conversa de mineirices sem fim.



Sair dali tarde da noite e caminhar até a pousada é mergulhar em uma atmosfera impressionante que causa sensação extraordinária de se estar em um túnel do tempo, bastando se deixar levar pela calma até à emoção de ouvir o silêncio das casas fechadas e pouco iluminadas.



Tenho certeza que, em outros tempos, caminhei por estas mesmas ruas. Me sinto em casa e extremamente confortável, meu olhar vai se deleitando, escorrendo pelas lindas fachadas, meus passos se fazem preguiçosos com pena de deixá-las para trás, bate na alma um medo de não avistá-las novamente.


Me apaixonei por esta cidade e não me canso desse namoro bom, feito café de coador numa manhã fria.



Rogério Alves 


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