Castelo dos Sonhos
- Rogério Alves da Silva

- há 5 dias
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Na aflição de tanta correria desse meu dia, sobra pouco ou quase nada quando no final bato a peneira, o que passou pelas malhas das horas são miudezas que vão para o monte das insignificâncias e viram massa para a construção de um nada. Ao puxar pela memória, cabe em uma mão quando muito o que ficou para ser agasalhado.
A louca correria que se tenta justificar por ser a única forma de se “vencer”, de se construir e de se ter grandes coisas, que com o contar das muitas horas do viver vão sendo ofuscadas pela experiência, que cuida de ajustar as lentes e corrigir a miopia que nos vendem barato desde os primeiros passos no mundo dos “grandes”, e o pior é que a gente sai comprando desarvorados como se fosse Black friday.
O sonho de se morar em um grande castelo, com o tempo se confronta com o trabalho do cuidar e mantê-lo, e depois de uma certa idade a gente vai passando a sonhar com castelos cada vez menores, que irão nos exigir menos esforço e tempo; assim também com o carro antigo, o sítio, a casa de praia, a piscina,... que perdem o brilho e o encanto diante da astúcia e da objetividade que a idade “quase” sempre consegue imprimir.
Quando o outono se faz e anuncia que vem aí o inverno, a gente começa a querer tempo, tempo para sentar-se no parque, para dormir depois do almoço, sossego para ir ao banheiro, e passamos a torcer para o telefone não tocar, para o carro não quebrar, rezamos para ninguém vir nos encher com problemas bobos que no fundo sabem como solucionar, a esta altura o tempo ganha outra dimensão e um valor que nunca teve.
Agora, é curtir a beleza do chão coberto de folhas, agasalhar-se com roupas macias e cheirosas, sentar-se na varanda, degustar um chá bem exótico e aproveitar as coisas gostosas do inverno que tomara custe a passar.
Os castelos não resistem a longos cercos, eles acabam por cair.
Rogério Alves

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