Despertar
- Rogério Alves da Silva

- há 15 horas
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Chega um momento na aventura do viver, que a própria vida, cansada de nos ver por aí perdidos, trôpegos e sendo atropelados por miudezas que não valem a “pena”, se encarrega de nos despertar, e como nosso sono se faz renitente, ela como uma boa professora que nos quer muito bem, nos chama a atenção e mostra-nos os reais valores de uma vida que realmente vale a pena ser vivida.
Lá pelas tantas, você começa a ver que se deixou levar pelo senso comum, que deu importância demais a situações que não mereciam tal relevância, que fez escolhas indevidas em detrimento de outras que te eram mais agradáveis, somente para se sentir enquadrado e aceito.
Durante muitos anos eu viajei nas férias para cidades praianas, visitei quase todo o nordeste brasileiro, suas capitais e seus “paraísos” litorâneos; quando o final de ano ia se aproximando, era hora de escolher onde iria passar o réveillon, afinal de contas eu não queria ficar de fora, pois, todos ou quase todos os amigos e conhecidos iam para a praia e eu não admitia ficar para trás e em casa.
Vivi uma época tenebrosa que em virtude de ter um filho estudando em uma cidade de praias, eu cheguei a ter lá uma casa (alugada) por cinco anos e, foi somente assim que eu finalmente ouvi a professora e tive coragem de admitir que eu não gosto de praia, que a água é salgada, a areia é pegajosa, o sol malvado, o trânsito caótico, os preços altos, calor dia e noite, e para completar a noite tinha restaurante cheio e para fechar com chave de ouro uma passada na famigerada feirinha de bugigangas que alguns tem a cara de pau de chamar de artesanato.
Outra lição que custei a interiorizar foi em relação a carros, já os tive antigos, os fora de série, os exóticos, os grandes, as caminhonetes,... até que com muito custo, sofrimento e raiva aprendi que os bons são os mais simples, de preferência na cor cinza e seminovos, não tem coisa melhor, eles são garantia de sossego e um custo benefício excelente.
A última lição que ainda está em curso é sobre o tamanho da casa onde você mora. Me responda: Porque um casal teima em achar que precisa de uma casinha de quase trezentos metros quadrados com área construída de aproximadamente uns oitocentos e cinquenta metros quadrados?
Casa que tem uma sala onde a televisão foi ligada pela última vez na Copa do Mundo de 2018 e ainda por cima para ver a França ser campeã?
Tem coisas que para se admitir é preciso coragem. Tem respostas que a gente insiste em errar. Tem meninices que a gente teima em não querer que amadureçam.
Mas, chega uma hora que a vida grita com toda força: Desperta!
Rogério Alves

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