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Os dias vão passando pelas estações sem reparar as sinalizações e é por isso que se perde a noção de onde realmente se está. Com o passar do tempo, já não se sabe o destino e qualquer possibilidade de “descer” fica fora de cogitação e entramos no módulo Zeca Pagodinho “deixa a vida me levar” ou no do Skank “vou deixar, a vida me levar”, passando a ser somente um passageiros dessa viagem. 


Em nome do sossego, evitamos o embate, declinamos do santo direito de opinar, concordamos só para não desgastar as relações e vamos nos anulando, perdendo o tempero, ficando bonzinho, um pessoa doce, um amor de criatura. O problema é que em paralelo, vai se perdendo o viço, a energia, o vigor que alimenta a vida, a vontade de levantar-se e a capacidade de tomar decisões e de reagir. 


Aconchegar-se na poltrona macia da acomodação é uma armadilha que aprisiona pouco a pouco e que, a princípio, não causa dor, mas sorrateiramente entorpece e abate o espírito de aventura que é o viver. É preciso que se fique atento e desperto, para não cair nas garras da perigosa rotina paralisante que pode até “matar” o espírito humano.


Não há como fugir da nossa destinação, não dá para deixar a vida nos levar, somos “locomotivas”, a vida nos provoca ao movimento e ainda nos disponibiliza o combustível para as nossas caldeiras, cabendo-nos apenas alimentá-la para a máquina não parar.


Não perca de vista os desafios que a vida nos oferece, eles são um convite a nos conclamar a abraçar a vida em toda a sua glória. 


Rogério Alves 



 
 
 

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