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Mudança de Rota


Vivemos hoje em um mundo onde somos o tempo todo estimulados e incitados a planejar a nossa caminhada, seja ela pessoal ou profissional, nos deparamos sempre com um obsessivo mantra como que a nos obrigar a estabelecer e a cumprir metas e objetivos sob pena de não estarmos em sintonia com o “grupo” e desajustados do senso comum vigente. É comum ouvir-se: “saia da sua zona de conforto” quem você acha que é para se sentir realizado? Mexa-se, pois a meta vai sempre aumentar. Dê o seu jeito!


Embalados por essa cantilena investe-se um tempo, uma década e, em casos especiais, dedica-se uma vida a um tal projeto e, de um momento para o outro, sem sequer um aviso prévio, muda-se a rota, impõem-se um novo projeto, obrigando o viajante a um incrível cavalo de pau, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.


Aqui, volto a tocar num ponto que viralizou especialmente no mundo corporativo, a famigerada “resiliência”, que nos “impõe” de forma impiedosa a obrigação de não nos deixarmos abater por nada que venha a acontecer, correndo o risco de sermos rotulados de fracos e desajustados diante desses novos tempos, onde as mudanças são constantes e até disruptivas, que  ocorrem custe o que custar, doa a quem doer.


Vivemos um momento que nos exige especial atenção ao traçar a nossa rota e, principalmente, ao escolhermos nossos parceiros de viagem, não podemos, como dizem os mais vividos, “colocar todos os ovos na mesma cesta” ou confiar cegamente, o fio de bigode perdeu o valor, o que se vê é a adoção de mais um “velho” ditado popular: “farinha pouca, meu pirão primeiro” acompanhado de um sacudir de ombros e o pensamento “que se dane o outro” sem a coragem de verbalizar o que se pensa. 


A essa altura do texto, alguém poderá estar pensando: “chiadeira boba, o mundo é dos fortes e dos resilientes”. O problema aqui é que muitas vezes quem determina a mudança de rota já vem traçando um novo rumo a muito tempo e, distraído com o seu umbigo, se “esquece” de prevenir os  passageiros e tripulantes que o rumo está sendo mudado e que querendo ou não vai-se chegar a um porto estranho.


Então o ponto é: não se deixe guiar, esteja sempre atento, nunca retire a mão do leme da sua vida, porque vai aparecer um guru pronto para te mostrar o caminho que ele “acredita” ser o melhor para você.

O maior especialista sobre sua vida é você mesmo, não se deixe engambelar.  


Rogério Alves


 
 
 

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