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É preciso um especial querer para se trocar as lentes com as quais vemos o mundo ao nosso redor.



Quando eu quase terminava de viver mais um daqueles dias corridos, fui surpreendido. Ao sair pela porta em direção ao carro estacionado logo à frente, meus passos congelaram diante de um espetáculo no céu. Havia um barrado vermelho por detrás dos morros, algo lindo feito pelo esconder do sol se despedindo de mais um dia.



Impactado, caminhei devagarinho contemplando aquele lindo cenário. Ali, parado, me encostei no carro, a boba pressa havia desaparecido e ali eu era só um espectador, entregue, totalmente absorto, envolvido por uma santa admiração diante de algo sublime.



Depois de um tempo que não vi passar, entrei no carro em busca de minha casa, durante este pequeno trajeto, ainda busquei por várias vezes o horizonte, na intenção de mais uma vez ver aquela luz agora rubra, explodindo por detrás dos morros, misturando-se à noite que já se fazia presente no restante do céu.



Esse momento ficou gravado na minha memória, me impressionou, deixando-me feliz ao pensar: que bom que estou aprendendo a permitir que momentos como este me toquem, algo que, nas minhas correrias tolas de outros tempos, distraído, permitia que passassem despercebidos.


Lá atrás, no início da adolescência, me encantei com a poesia de Vinícius de Moraes, me impressionei com o talento de Gabriel García Márquez, Fernando Pessoa, José Saramago... embalado pela música de Milton Nascimento, Chico Buarque, Raimundo Fagner, João Bosco, Fernando Brantes... eu era só emoção.



Creio que quando me toca o pôr do sol, foi por ação dessas lentes que começaram a ser construídas de lá até hoje, sem interrupção, e elas foram com o passar do tempo, sendo reabastecidas constantemente por novas pérolas, descobertas e encantamentos no campo vivo das artes.



Chegando em casa, ainda na garagem, ouvi o radialista dizer que mais um poeta havia partido. Eles são apressados, vão embora de repente, sem avisar, deixando a gente cada vez mais sem lindos entardeceres a nos tocar.


Rogério Alves


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