Posicionamento
- Rogério Alves da Silva

- há 10 minutos
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Você é uma pessoa especial, tão doce e cordata! Nunca ouvi alguém falar contra ou mal de você, todos te adoram.

Ser unanimidade deve ser um sonho para muitos e um pesadelo para outros tantos; penso que nestes dois hemisférios, a temperatura seja morninha e constante; o tempero insosso, sem graça, comida de hospital, sem surpresas; um viver sob total controle é uma reta que se perde de vista, onde o marasmo acaba por atropelar a vigília.
O muro do viver é estreito, o que dificulta estar e permanecer sobre ele; acredito ser mesmo imprescindível ter um lado, posicionar-se, e, diante do que se nos impõem as situações do dia a dia, ter uma postura ativa e participativa, sentindo o coração bater forte diante das escolhas feitas de forma consciente. Não dá para ser isento.
Antigamente, lá em Minas Gerais se dizia: “fulano não fede nem cheira” sobre aquele que é indiferente, sem importância ou que não causa impacto; pensa-se de quem estando presente ou ausente não muda nada na reunião do condomínio. Coisa lá daquelas bandas, terras de quem nunca se submeteu, de gente que sempre lutou pela liberdade.
A vida é quente, exigindo do vivente ação, interação e refrega, sem o que cai a sua temperatura e advém a morte ainda em vida, o coração bate no ritmo da valsa, respira-se somente para não asfixiar-se e, fica difícil levantar-se pela manhã pois a alma se pergunta: levantar porque? Para o que? Melhor é ficar na cama e dormir até cansar.
Equilibrar-se em cima do muro por muito tempo é exaustivo, exige atenção total e constante, transformando a vida em um “vale a pena ver de novo”. Já tentei ser um doce; concordei para não desagradar; reescrevi na busca de likes; calei quando a vontade era gritar; …, foi assim até o dia que experimentei me posicionar e ser eu mesmo.
A primeira vez a gente não esquece e dá uma vontade danada de repetir. O muro da vida é muito estreito e equilibrar-se é extremamente cansativo.
Rogério Alves

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