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O perigo no meu quintal!


Meu quintal é todo murado, quem passa na rua nem imagina o que tem do outro lado do alto muro cinza, um lugar seguro, bonito, tranquilo até bem pouco tempo…


Quando construíram um prédio, o indevassável ficou à vista pra quem antes só via o muro.

Um tempo depois, a casa ao lado se transformou numa empresa e agora, eles que veem também o antes oculto…

Mas não parou por aí: na esquina vem subindo sorrateiramente outro prédio de inúmeros andares que darão vista para o meu quintal.

Penso no meu quintal de antes e tenho saudade de quando ele era inexpugnável e eu me sentia seguro até para despreocupada nudez se fosse o caso.


Agora, quando estranhos entram no meu quintal é que penso nos quintais que não são seguros, pois o meu sempre foi abrigo, tranquilo, me manteve fora do olhar, da ameaça do estrangeiro, do de fora… O muro cinza manteve esse olhar longe de mim por muito tempo.

Eu vinha ouvindo, meio de longe, que os quintais estavam ficando inseguros pelo mundo afora. Escutei, mais de uma vez, que na Síria os quintais deixavam de ser seguros. Que em alguns países longínquos, bem distantes do meu quintal, tinha gente que não tinha quintal, que uns até se jogavam no mar com a família, em botes de borracha, levando crianças, imaginem, que loucos, levar crianças para uma viagem perigosa, tudo por causa de um quintal.

Falam de vez em quando, na tv, que tem quintais floridos que foram destruídos por uns soldados de um tal de talibã. Me contaram uma vez de outros quintais maravilhosos que foram bombardeados, destruídos... Estes quintais, me contaram, eram patrimônio da humanidade - esses foram o estado islâmico, que lá nesses quintais até as casas foram destruídas.

Me falam até de uns lugares aqui na minha cidade onde as pessoas não têm quintal, onde não tem ruas, só vielas, becos que separam uma casa da outra, onde casas são parede e meia, coladas, sem privacidade, sem janelas; como será que elas, pela manhã, fazem para abrir a janela e olhar o céu lindo, azul, se elas não tem janelas?

Escutei tanta coisa estranha, no dia a dia.. Essas notícias vão se sucedendo e se soterram numa avalanche de absurdos que me fecham no meu mundinho, me colocam no centro do meu quintal, alheio ao resto do mundo, distante, isolado pelo muro cinza.

Agora, os muros caíram. Não é mais seguro, nem aqui, nem ai, muito menos lá, meu quintal foi bombardeado, minha casa foi derrubada, meu trabalho parou, nos isolamos numa união total em torno dos planos para embarcar num bote e atravessar para um local desconhecido, só desejamos que seja melhor que aqui.

Se eu sobreviver ao possível naufrágio, se ninguém achar meu corpo de bruços, morto numa praia qualquer do outro lado, terei que pensar melhor na segurança do meu quintal.

O meu muro tem mais de dois metros, ele é cinza, cor triste, neutra, sem graça, ele tem bem mais que dois metros, lá no final ele deve ter uns três metros.


O bote de borracha vai sair a qualquer momento, torço para que as cercas de arame farpado tenham enferrujado e tenham se dissolvido, que os guardas das fronteiras tenham voltado para seus quintais, tomara que eles tenham quintal seguro, assim eles teriam motivo para irem para suas casas e me deixar passar, seguir em frente.

Meu muro tem mais de dois metros, minha tv tem Sky, Netflix, no final ele tem uns três metros, não adiantou nada, minha bolsa preparada para entrar no bote me traz insegurança, medo…


Agora não sai da minha cabeça todas as notícias sobre quintais perigosos, mesmo aqueles longínquos, penso até naquelas casas sem janelas para serem abertas e constatar a beleza do dia, céu azul, sem nenhuma nuvem.


Tenho medo de não conseguir um lugar no bote de borracha, nem ligo se ele pode vir a afundar, agora só penso que meu muro tem mais de dois metros de altura, fico angustiado de ver que ele tem mais de três metros lá no final, bem onde a antena da Sky foi instalada.

Os carros na garagem, limpos, os tanques cheios...


Meu bote vai sair, ainda não sei o dia, mas tenho certeza que ele vai partir um dia, um pressentimento que ele vai naufragar tira meu sossego!

Lembro da criança na praia, de bruços!


Mas prefiro crer em outra realidade...

sem muros, sem morte...

a oferecer as mãos...

Rogério Alves


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