Saudosista?
- Rogério Alves da Silva

- há 13 horas
- 2 min de leitura

A cidade cresceu!
Agora, quando passo na praça cheia, não conheço as pessoas que andam por ali, não me lembro dos que ocupam os duros bancos de concreto. Não é mais como era “antigamente”! Na padaria, consigo entrar, me sentar, tomar um café e permanecer ali por longos minutos sem que entre uma pessoa conhecida ou que alguém venha falar comigo.
Sinto-me um desconhecido! Olho para os rostos e não sei quem é aquela gente; lembro-me de minha mãe e de minha avó que, ao caminhar comigo pelo bairro, iam reconhecendo todos os passantes, sabiam quem eles eram, filhos de quem, netos de quem, elas paravam com os conhecidos e perguntavam pela família. As pessoas não tinham pressa!
Na rua lá de casa, não conheço os meus vizinhos, quando eles param em frente a minha garagem, tenho que agradecer quando saem, somente com uma breve buzinadinha ou com um simples obrigado por não saber seus nomes. Com minha mãe (93 anos) é diferente, ela mora em um pequeno prédio e conhece todos os moradores e todos eles a conhecem.
Será que esse hábito de parar, conversar, bater papo, é coisa de outros tempos? O engraçado é que no prédio da minha mãe tem gente de todas as idades, crianças vão à casa dela e levam guloseimas que ela também coloca na maçaneta do apartamento deles, numa linda troca de delicadezas; e os adultos perguntam por ela quando me veem por ali.
Estou aqui trocando uma ideia com meus botões e pensando: será que é o tal de saudosismo que está dando umas voltas por aqui ou é o isolacionismo que está tomando conta das nossas corridas vidas?
E nos enganando, dizendo que somos felizes, vivendo desse novo jeito de caminhar, de conversar e de assistir a vida, estando online 24 horas?
Sou um desconhecido na praça!
Rogério Alves

Comentários