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Solidão

há 9 horas
2 min de leitura

A irregularidade das pedras sob os pés dava a meus passos uma lentidão trôpega e calculada por rua deserta que, àquelas horas se fazia quase escura devido a sua iluminação amarelada e escassa; a solidão era minha única companheira, o que me trazia um receio acompanhado de arrepios pronto para se transformar em medo.


À minha frente, a rua estreitava-se em curva e, espremida entre o muro da igreja e casas pequenas de janelas debruçadas na via, me impediam de saber o que me esperava lá adiante; o silêncio se fazia pesado, e como se eu fosse o único e último vivente daquela tarde que acabara de se fazer noite, dei a mão a saudade de você.


Seguindo as pedras, atravessei aquele beco escuro que me transportou até um largo, que de um lado tinha a Matriz e em frente a esta uma larga rua ladeada por casas geminadas, que despencava morro abaixo até cair na praça do chafariz, ali, diante da amplidão e da claridade do lugar pensei em largar a mão da saudade, mas, não tive coragem.


A cidade deserta, portões, portas e janelas fechadas; naquele momento tomei ciência de que os sinos não haviam anunciado às horas passadas, diante do grande portão fechado, dei as costas a Matriz e iniciei a descida da rua, agora, não eram somente as pedras que retardavam meus passos, meus pensamentos se perdiam diante do vazio da rua.


Chegando à praça, notei que não havia água no chafariz e plantas nasceram na terra acumulada no fundo da fonte; quanto tempo se passou desde a última vez que estive ali? A casa em frente mostrava em sua fachada sinais de abandono; onde estariam os seus moradores? Sozinho, sentei-me no banco empoeirado e busquei descanso. 


Despertei com o dia, tudo continuava ali, como antes e como a muito tempo, não me lembrava de quando o silêncio tinha começado. Para onde foram todos? Lembrei-me da saudade de você na noite passada e senti que ela ainda estava ali. O que aconteceu com você? E com os sinos? Será que a cidade inteira morreu? Será?


Rogério Alves


 
 
 

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