Telefone que Toca
- Rogério Alves da Silva

- 30 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Um choque na sola do pé que sobe pelas pernas é a reação de quando o meu celular toca. Nesses loucos novos tempos, o celular foi ganhando força até que conseguiu matar por falta de utilidade o telefone fixo. É verdade que ainda existem uns últimos espécimes perdidos por aí, como na casa da minha mãe.
Mas, mesmo uns poucos sobreviventes costumam nos pregar peças. Minha mãe já recebeu as ligações mais loucas do mundo, uma vez foi avisando do meu sequestro, o que a deixou muito assustada, até me localizarem e eu a tranquilizar com um raciocínio muito lógico: mãe, pensa bem, quando foi que sequestraram uma pessoa do meu tamanho (gorda)? É uma questão de estratégia e planejamento, vai dar muito trabalho me alimentar e não vale a pena também por causa do potencial financeiro que é ridículo. E ela logo se tranquilizou.
Mas voltando ao celular, eles chegaram a tal ponto de importância que, quando estaciono meu carro numa rua escura e suspeita, a primeira preocupação é não deixar o celular, que roubem o carro mas a minha vida de relação não. Ali está tudo o que é “importante”, ele guarda quase tudo. Até em caso de um furto do veículo é a ele que vou recorrer para chamar um uber e para desligar o alarme para poder entrar em casa.
Quando falei do susto que levo quando ele toca é que ninguém mais liga para ninguém. Nosso contato virou um ativo para algumas empresas que ligam de forma renitente só para saberem e certificar que o nosso número está ativo e vendem essa informação para outras empresas que irão nos ligar num futuro próximo com variadas propostas maravilhosas “para elas”.
Sem falar nos golpes que ficam a cada dia mais sofisticados: avisos que estão utilizando nosso cartão de crédito, alerta que entraram na nossa conta, pedido de aprovação para uma super transação, vídeo chamada de uma falsa agência, … me ligam dando alarme de transações financeiras até de bancos onde eu não tenho conta. Um louco e verdadeiro jogo de gato e rato, onde eu sou um ratinho a ser capturado.
Mas a melhor foi uma ligação de uma senhora que seria daquela data em diante a nova gerente da conta bancária do meu escritório: após o aviso, ela agendou para o dia seguinte uma nova ligação onde nós (eu e ela) iríamos fazer algumas liberações de benefícios que estavam a disposição e não utilizados. Agendei e pontualmente ela ligou toda animada: “Vamos lá?” Ao que respondi: “Você acha mesmo que eu vou mexer na minha conta orientado por você?” E ela tristinha desligou na minha cara, sem nenhuma educação.
Fiquemos atentos e espertos, pois o telefone que toca e me assusta, é o mesmo de que eu quase nunca me separo. Toda ferramenta pode se tornar uma arma, dependendo unicamente de quem a utiliza.
Rogério Alves

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