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Não posso me acostumar!

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia." (Marina Colasanti)



Diariamente, tenho levado uma bofetada ao ser informado do número de mortes em função da pandemia no meu Brasil. A dor da pancada vai crescendo de acordo com que me chegam as informações internacionais, também trágicas e impactantes, mas quase sempre em queda acentuada, o que me causa enorme inveja.


O estranhamento é constatar a indiferença com que a notícia das mortes é recebida; telejornal em andamento, o jornalista muda a entonação e solta a bofetada; no mesmo recinto, pessoas nem ouvem, absortas em seus celulares, ou só alheias aos fatos que deveriam ser entristecedores.


E eu, chocado, digo:

- Viu?

- Não, o quê?

- 2349 mortes em 24 horas.

- Não, não estava prestando atenção.

- Meus Deus, que loucura.

- Ah, todo dia é a mesma coisa! Não aguento mais este noticiário.


No dia seguinte, em conversas habituais, quando compartilho admirado o absurdo do número dos óbitos, esperando apoio e cumplicidade, isso não se dá, os sentimentos são controversos, estranhos a meu ver, coisas como:


"Não aguento mais essas notícias."

"Eu nem vejo mais, a televisão só fala sobre isso."

"Muito exagero, não acredito nestas notícias; são tendenciosas."


Comentários estranhos e totalmente desprovidos de empatia*, postura claramente alienada e eivada de indiferença, algo como se os óbitos e o que vivemos fosse algo aceitável, admissível e normal ou fruto de um complô, onde as notícias fossem forjadas, manipuladas.


Vemos que, realmente, "a gente se acostuma"! Nos acostumamos com muita coisa, mas, com a morte fruto de uma pandemia eu não me acostumo, sabendo que não estaríamos vivendo este caos generalizado se todos só usassem máscaras corretamente, se usassem álcool gel, lavassem as mãos constantemente, se evitassem o contato físico, proximidades desnecessárias, como reuniões, churrascos, festinhas familiares inocentes, Bares, praia… festas clandestinas!


Ainda se ouve:

"A vacinação é a única solução!"

"A culpa é dos governantes!"


As duas afirmativas estão corretas, mas, onde fica a minha responsabilidade? Onde os meus cuidados e "sacrifícios" em relação às minhas ações, levando em conta a minha segurança e a da minha família?


O que mais me impacta é a fuga da realidade através da indiferença, a alienação em função de ideologias políticas desumanas, a polarização absurda onde os dois lados não se importam com a vida e sim visam o embate, o combate, a disputa, a culpa… sem a busca das orientações, dos esclarecimentos, dos exemplos positivos, enfim, do combate à ignorância mortal.


Ainda me choco com a morte, não me acostumo, me vigio para não ser tomado pela indiferença, me repito diuturnamente que estas pessoas vitimadas pela pandemia não morreriam se cada um e se todos nós tivéssemos assumido as nossas responsabilidades.


Ainda, que as mortes por outras causas e fatores não diminuíram, que as perdas pelo COVID-19 somam-se a todas as outras já trágicas, que todos as pessoas que morrem a cada dia, são filhos, pais, avós, irmãos, esposas, mães, maridos... perdas e dores de um alguém.


Penso aqui com o meu café:

Como será quando alguém muito próximo a mim for vitimado? Como vou me sentir?

Será que tive algo a ver com a contaminação dela?

Não poderia ter evitado?

Fiz tudo que deveria ter feito?


E o pior... ela, a morte, anda me rondando, cada vez mais próxima, já chegou aqui bem pertinho.


Não, eu não me acostumo!

Não, não vou me alienar!

Não, não serei indiferente!

Sim, me choco, choro…

Sim, Me emociono!


Rogério Alves.

"A gente se acostuma, mas não deveria".

Poema: Marina Colasanti.

Narração: Antônio Abujamra



* empatia: capacidade de sentir o que uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, ou seja: procurar experimentar o que sente o outro a fim de tentar compreender seus sentimentos e emoções.


Será um prazer fazermos contato!

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